CRÔNICA - A VOLTA DA BIENAL



Depois de um dia inteiro andando por toda a Bienal do Rio e conhecer muitas pessoas e livros novos, Carlos Antônio resolveu ir embora para a sua cidade. 
Olhou para a saída do Rio Centro e viu que havia um aglomerado de pessoas esperando os ônibus que eram muitos, mas não suficientes para todos. Então resolveu pegar um táxi.
_ O senhor quer ir para onde? - perguntou o taxista - um baiano de uns sessenta anos de idade.
_ Quero ir para a rodoviária. Quanto é a corrida?
_ O trânsito hoje está cheio. Não tenho certeza do preço, mas vamos fechar em cem reais.
O rapaz entrou no carro e o taxista começou a rodar.
_ O senhor não vai ligar o taxímetro?
_ Se eu ligar vai ficar mais caro. Olha só este trânsito.
Carlos Antônio pensou:
_ Melhor deixar quieto, pois o que importa é chegar em casa.
Muitos motoristas estavam ultrapassando feito loucos e o taxista começou a ficar estressado com os carros cortando o dele pela direita. Ele começou a cortar os outros veículos e a dizer palavras de baixo calão.
Passados uns vinte minutos o baiano ultrapassou uma pick-up e o jovem motorista encostou no carro dele e disse algumas palavras desagradáveis aos ouvidos de qualquer passageiro, ou melhor, de qualquer pessoa, que prontamente foram retrucadas pelo motorista do táxi. O rapaz da pick-up então deu um soco no retrovisor direito do carro do baiano e acelerou em direção a uma pista da direita que levava a outro caminho.
Carlos Antônio ficou assustado e pensou que o taxista iria perseguir o agressor, mas o baiano depois de ver que o retrovisor estava intacto continuou o seu trajeto.
O garoto então lhe disse:
_ Deixe-o seguir o seu caminho. Quem procura a violência acaba encontrando. Ainda bem que o senhor não está armado.
E o taxista respondeu:
_ Que não estou, que nada. Olha só o que eu tenho aqui no carro.
Ele tirou uma pistola do seu lado esquerdo perto da porta e completou:
_ E ainda tenho mais este pente carregado.
O jovem ficou nervoso e disse ao taxista:
_ Senhor, pode me deixar aqui em Copacabana. Preciso comprar um presente para minha namorada.
Ele pagou a corrida e viu o baiano ir embora. Ponderou:
_ Ainda bem que o retrovisor não quebrou!
Olhou para os carros e pensou em pegar um novo táxi:
_ Acho que vou de ônibus, pois o metrô não vai até a rodoviária. Ufa!

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