CRÔNICA - SORTE DE INICIANTE



O jovem Carlos Antônio foi convocado para servir o Exército Brasileiro como 2º Tenente, assim que terminou a sua Faculdade. No segundo mês, seguinte à sua formatura, conseguiu comprar um carro velho com 12 anos de uso, ano do veículo: 1981.
Toda segunda-feira, ele viajava para o Regimento de Carros de Combate, no Rio de Janeiro, para fazer o treinamento militar e retornava às sextas-feiras, à noite, para a região serrana do Estado, onde morava.
Um dia, quando estava retornando no fim de semana, seu carro começou a fazer uns barulhos estranhos. Logo, começou a falhar o motor e ele percebeu que ia parar. O problema é que o veículo parou no alto da serra, na mais pura escuridão, tarde da noite. Eram 22 horas. Estacionou no acostamento, pegou um isqueiro que havia no automóvel, abriu a tampa do motor para tentar descobrir o defeito.
Acontece que o rapaz não entendia de mecânica e só descobriria a falha, se fosse muito evidente. De repente, um carro parou com os faróis altos atrás dele. Ele ficou assustado, pois não havia movimento na estrada. Saíram dois homens do veículo e um deles se aproximou, dizendo:
_ Carlos, você está perdido aqui?
Depois de ficar assustado, o jovem militar percebeu que conhecia os homens.
_ Você não está me reconhecendo. Sou o Leandro, lá do Bairro Ypú, que consertei o carro do teu pai.
Carlos Antônio então pode vê-lo melhor e o reconheceu. Era o mecânico do seu pai.
_ O seu carro está com problemas. Deixe-me dar uma olhada. Estou subindo a serra, pois eu e Pedro viemos trazer a namorada dele, que mora em Cachoeiras.
Logo, Leandro pegou uma lanterna no seu carro e olhando o motor do carro depois de mexer aqui e ali, disse:
_ Já vi o defeito. O rotor do distribuidor está gasto e não passa a corrente para o platinado. Por favor, me espere aqui um pouco, que vou na minha oficina buscar um rotor de outro veículo similar, que está no conserto. Não vou demorar.
Carlos Antônio ficou ali aguardando o retorno deles. Chegaram em poucos minutos e Leandro colocou o rotor no lugar e assim o carro voltou a funcionar.
_Muito obrigado, meu amigo, por quebrar este galho. Como posso te pagar por este serviço? Quanto custou? - perguntou Carlos Antônio.
_ Ora, Carlos. Não foi nada. Apenas peguei uma peça de um carro que está no conserto, mas que é fácil de repor.
Então foram embora e o jovem Carlos Antônio ficou admirado com a coincidência da ocasião e mais uma vez pode perceber que Deus existe.

Chaiene Santos

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