Crônicas de um viajante 2

      A semana havia sido difícil, com o início das aulas clínicas de Carlos Antônio. O curso não tinha auxiliares de consultório e quem ajudava a instrumentar era o outro componente da dupla, que era formada pelos alunos do curso de Odontologia.
     O jovem carregava cinco malas, cheias de material pesado, incluindo gesso, produtos para moldagens, etc...Chegou finalmente o dia de voltar para Nova Friburgo. Ele ansiava sentir o cheiro das árvores na subida da serra. Desceu as rampas da rodoviária, após comprar sua passagem, bebeu um pouco de água, pois estava muito quente e sentou-se num banco à espera de seu ônibus. Seu celular estava ficando sem bateria e precisava avisar seu pai, para pegá-lo na chegada no horário previsto. Assim foi feito e logo o telefone apagou.
     De repente olhou para o lado e percebeu que havia um sujeito muito estranho, com mochila, despenteado e falando sozinho. Ele falava palavras de baixo calão para si mesmo ou sabe lá para quem. O celular dele tocou e ele respondeu:
- Já disse que não quero conversa.- e desligou.
     Carlos Antônio pegou um livro dentro de uma das malas e começou a ler para passar o tempo. Ficou meio distraído lendo. Logo, sentiu que o veículo estava para sair. Pegou suas malas e foi colocá-las rapidamente no bagageiro do ônibus. Depois de etiquetá-las, subiu procurando sua poltrona. Quando chegou no seu número 37, deu de cara com o estranho da mochila.
- Este lugar aí é meu. Você pode conferir por favor? - disse o estudante.
     Sem falar nada, o rapaz se levantou e deixou-o sentar. Porém, logo em seguida, começou a resmungar palavras de baixo calão e a dizer:
- Eu quero sentar em uma janela. Será que não vai sobrar alguma para mim?
     E começou a colocar um som alto no celular tocando músicas de gosto duvidoso. A letra da música tocada em som alto dizia que todo mundo era "mané".
    De repente, veio chegando mais um passageiro com cara de zangado, que parecia um policial e perguntou para o estranho:
- Minha poltrona é a 38. Poderia conferir sua passagem. O rapaz pegou  o ticket e entregou ao homem, que disse:
- Aqui diz plataforma 38. Sua poltrona é a 45, janela.
- Logo percebi que, ou o mochileiro estava fora de si ou não sabia ler.
    Ele se dirigiu com seu celular, tocando música em som alto, para o seu lugar. Um jovem sentado na poltrona 46 olhou para o estranho e começou a puxar conversa com ele. Falavam sobre rock, shows e coisas do gênero.
    De qualquer forma, o passageiro acalmou o rapaz, que desligou aquela música incômoda e a viagem seguiu tranquila até a chegada.






   

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