Crônicas de um viajante 1

               Carlos Antônio, um jovem estudante que fazia faculdade, no Rio de Janeiro, estava indo de ônibus, como era de costume, para o curso no domingo à noite. Ele morava em Nova Friburgo, região serrana do Estado, lugar conhecido por sua beleza natural, com montanhas e cascatas, cercada de verde, orquídeas, bromélias e pássaros por todos os lados.
              Ele conseguiu comprar sua passagem para o horário que gostava e logo à noitinha seguiu sua viagem, tranquilamente. Conseguiu ficar na janela, pois quando não dormia, observava as paisagens, no caminho.
              Foi um dos primeiros a entrar. Olhou para o interior do veículo e verificou que era novo. Assim, se sentiu mais seguro.
             A viagem deu início e tudo corria bem até que um barulho muito alto do aparelho de ar condicionado, que se situava na parte de trás do ônibus começou a incomodar todos os passageiros. As pessoas olhavam umas para as outras, observavam o teto, mas o percurso continuava. Havia um senhor de cerca de 40 anos com uma criança no colo, logo sentado  abaixo do som alto, mas o bebê dormia e parecia estar em outro mundo.
            Até então tudo bem, porém um senhor de cabelos grisalhos se levantou e começou a reclamar em voz alta:
- Não é possível viajar com este barulho. Neste ônibus, eu  não viajo.
            E se dirigiu ao motorista, com furor. O condutor então parou para tentar resolver o problema.
- Meu senhor, este som não está tão alto assim. Precisamos seguir viagem - disse o motorista.
- Eu não viajo sentado perto deste incômodo barulho - respondeu o velho homem. Exijo que troquem o ônibus para seguirmos viagem.
          Todos os outros passageiros começaram a ficar irritados com a ousadia dele e interpelaram a discussão, quando uma senhora disse lá do meio do veículo:
- Preciso chegar ao Rio no horário e não vou esperar mais. O senhor tenha a delicadeza de sentar-se no seu lugar.
- Quem é a senhora para me dizer isso? - perguntou o senhor zangado.
- Eu sou parte da maioria que exige do senhor um pouco de educação - respondeu a senhora.
          E iniciou-se um grande falatório dentro do ônibus. Carlos Antônio somente observava os fatos. O passageiro à sua frente disse alto para ser ouvido:
- Vamos fazer uma votação. Quem quer ir assim mesmo, com barulho ou desligando o ar condicionado?
         Todos levantaram a mão.
- "A velha democracia" - pensou o estudante.
- Não viajarei neste ônibus de jeito algum. Nesta poltrona e sem ar? - disse o protagonista da confusão, nervoso.
- Vamos fazer o seguinte, eu troco de lugar com o senhor. Está resolvido. - intercedeu uma jovem senhora sentada na frente do veículo.
- Assim está bem. - respondeu o senhor.
          E a viagem continuou. Carlos  Antônio pensou:
- "Nossa, o que um barulho pode fazer.  Acho que não vou conseguir dormir mais. No entanto, se aquele senhor cair no sono, para mim está bom."


Chaiene BS

       









           

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